Teste de rádio digital DRM escancara oportunidade de evoluir com grande economia e mais qualidade

É hora de radiodifusores, governo e indústria acordarem para as vantagens de realmente avançar com o rádio: econômico no consumo de energia, inclusivo e adaptado aos novos tempos. Ensino a Distância é também alternativa plenamente viável devido ao envio de imagens

Depois de diversas semanas de transmissões experimentais para o Norte do país, a Rádio Nacional, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), direcionou nessa semana a antena para o Sul, atingindo principalmente as regiões Sudeste e Sul. Nesses locais, vários radioescutas que possuem receptores DRM reportam uma grande melhoria no sinal, que, na situação anterior, ficava oscilante. Agora, o som se mantém firme e constante.

É fundamental ressaltar que essa transmissão em caráter experimental e científico é realizada com apenas 1,1 kW a partir do Parque do Rodeador, em Brasília, utilizando antena da Rádio Nacional da Amazônia. O teste de rádio digital da EBC, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, é feito na banda de onda curta de 25 metros utilizando a frequência de 11910 kHz. Pois mesmo com apenas 1,1 kW, há reportes de escutas realizadas nos Estados Unidos, Canadá e em países da Europa.

A decisão de adotar o sistema de rádio digital DRM já deveria ter sido tomada há muitos anos, no entanto, ainda é tempo para que os radiodifusores, governo e indústria tomem consciência das vantagens deste sistema. Em vez entupir o dial do FM com emissoras migrantes do AM, o DRM permite que todas as faixas de frequência possam seguir existindo, porém com qualidade de áudio superior ao FM, envio de imagens e textos ao receptor e uma grande economia de energia elétrica ao radiodifusor.

Para se ter uma idéia, a transmissão analógica da Rádio Nacional da Amazônia é feita com dois transmissores de 250 kW. Lembramos que o atual teste digital é feito com apenas 1 kW e obtém alcance quase semelhante. Esse benefício na economia de energia não se dá apenas na transmissão em ondas curtas, mas em qualquer banda que se vá usar DRM. Para dar um exemplo, 0,1 kW seria suficiente para uma emissora local para cobrir uma cidade. Ou seja, o consumo de energia elétrica cai drasticamente. Detalhe importante, o transmissor utilizado no teste foi desenvolvido em Porto Alegre, pela BT Transmitters.

Em tempos de internet, muitos dirão que o rádio está superado e não há mais razão para investir no nosso mais antigo meio eletrônico de comunicação. Errado. É preciso investir num meio de comunicação eficiente que, justamente, não dependa da internet. Além de evitar possíveis problemas e instabilidades, o ouvinte não tem gasto nenhum, a não ser a aquisição do receptor. Ou seja, é o tradicional rádio recebido de graça e por todos. É o fortalecimento e a universalização da comunicação.

E a pandemia mostra outra lição. A necessidade de Educação a Distância (EAD) cresce e pode ser sustentada com uma infraestrutura mais barata e segura com o uso do DRM. Além do som, as imagens enviadas ajudam na explanação de conteúdos educativos.

Neste ponto, muitos lembram que não há receptores. Claro, foi assim também no surgimento da TV em 1950, na TV a cores em 1972, no rádio FM nos anos 1970, e na TV digital mais recentemente. Essas novidades não foram introduzidas com todos os brasileiros já possuindo receptores. A transição foi feita aos poucos em uma ação combinada entre radiodifusores, governo e indústria. Sempre foi assim. Por que seria diferente agora? Juntem governo, radiodifusores e indústria e isso será facilmente equacionado, com a oferta de receptores bons e baratos.

Portanto, apesar de todos os problemas pelos quais o país passa, agravados pela pandemia, não podemos deixar de pensar num futuro melhor para as comunicações. Internet é importante, sem a menor dúvida. Mas o rádio é uma alternativa fundamental por não depender de internet, ser barato e acessível a toda população.

Abaixo, confira vídeo da recepção da Rádio Nacional DRM feita no início dessa semana em Canela (RS). O receptor utilizado é um Morphy Richards, bem defasado, dos primórdios do DRM, que é um consórcio mundial com integrantes como BBC, Rádio França e Sony, só para citar alguns. Diversos países têm experiências positivas com o DRM, sendo amplamente adotado na Índia.

Publicado por Lucio Haeser

Interested in field recordings, electroacustic music and audio documentaries.

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