Seis milhões de brasileiros há 5 meses sem o seu principal meio de comunicação

3 set

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A Rádio Nacional da Amazônia completa 40 anos nesta sexta-feira (1º/09). Seria motivo de festa, não fosse um detalhe fundamental. A emissora está fora do ar desde 20 de março passado. Pelo menos 6 milhões de ribeirinhos dos estados da Região Norte, além de fiéis ouvintes de outras regiões, principalmente do Nordeste e Centro-Oeste, estão ao desamparo no seu direito ao livre acesso à informação. São 6 milhões de brasileiros que estão há cinco meses sem o seu principal meio de comunicação. E a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela rádio, não mostrou até agora o empenho necessário para resolver o problema.

Naquela noite de temporal, um raio atingiu em cheio a subestação que alimentava os dois transmissores de ondas curtas que até então operavam cada um com 180 kW, em 49 e 25 metros, Os transmissores ficam a 50 quilômetros de Brasília. Um cone de luz verde intensa subiu a cerca de 20 quilômetros de altura e pode ser visto durante dois segundos, por exemplo, na Asa Norte, na região central de Brasília. E a rádio se calou. A Agência Brasil, da EBC, laconicamente, registrou o ocorrido quatro dias depois. Nenhuma outra manifestação foi obtida da empresa.

Uma das primeiras reações do público ouvinte foi recebida pela EBC na forma de um abaixo-assinado, enviado à direção da emissora por 15 caciques de aldeias da Amazônia. No documento, é manifestado o repúdio dos indígenas à desativação da emissora. Na Amazônia, a população que mora à beira dos rios não tem fácil acesso à internet para, como se faz nas cidades, ouvir rádio em um celular, por exemplo.

Outras queixas vieram no ar, na própria emissora, em programas que contam com a participação dos ouvintes. Alguns chegaram a se oferecer para colaborar no pagamento do conserto, avaliado extraoficialmente em R$ 1 milhão. A Rádio Nacional da Amazônia mantém sua programação via streaming na internet. Ela também pode ser sintonizada por parabólicas. Mas a maioria dos ouvintes dispõe apenas dos tradicionais rádios de pilha. Tristeza e frustração é também o sentimento que toma conta dos funcionários.

História – Antes da criação da Rádio Nacional da Amazônia propriamente dita, em 1º de setembro de 1977, desde Médici, em 1973, o governo militar brasileiro mostrava sua preocupação com transmissões “alienígenas” (veja trecho de documento abaixo) vindas de países comunistas. A resposta seria a instalação do Sistema de Radiodifusão em Alta Potência, precursor do que hoje é a Rádio Nacional da Amazônia.

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